Salada à Brasileira

“O único tirano que aceito neste mundo é a voz silenciosa dentro de mim, a consciência.” (Mahatma Gandhi).

31/8/08

Hoje é domingo, pé de cachimbo - Parte VIII

Há 22 anos, escrevi isso para um "amor de agosto",
nascido e morrido ali. Como hoje AINDA é 31, ainda
há tempo para acontecer muita coisa boa nesse
"agosto do presente", presente a cada dia e
"cada dia como se fosse um presente".
Como se trata de um "fim de agosto", deixo como registro!

Se foi agosto
e com ele meu desgosto
daquela noite de agosto
de desespero e desgosto.

Combinavam nossos gostos
até aquela noite de agosto
em que perdemos o gosto
daquela tarde de agosto.

Não combinam nossos gostos!
Nunca mais gosto de agosto!
Quero esquecer o desgosto
daquela noite de agosto.

criado por aagostinho4    7:07 — Arquivado em: Poesias

30/8/08

Porque hoje é sábado! Parte 10

O nosso amor agora é todo meu

E nem adianta pedi-lo de volta,
pois eu o daria

Faça-me o favor de nem me ligar
Prá que eu não corra em atender

Não me fales: "Tu és linda, mulher!"
Senão, desta vez, eu acreditarei

Se tu tentasses me beijar
Eu te daria um grande SIM

Se sorrires, debochadamente
Corres o risco de eu te aplaudir

Não te atrevas a aparecer só agora
Para que eu seja feliz

Teu esperado abraço far-se-ia real
Teu inexplorado cansaço far-se-ia mortal
Minha espera far-se-ia pequena
E, a teu olhar, far-me-ia serena

Agora sim: eras o herói
Eu, a noiva do cowboy
Para o Chico, nosso estranho amor

Se achas pouco
Se achas louco

É porque tu nem sonhas
(eu só sonho)
És tão etéreo
que meu desejo é contido e contado em
suspiros…

(Ah, se!… - Samelly Xavier
em "Universo o Verso Une, pág. 93)

criado por aagostinho4    7:32 — Arquivado em: Poesias

16/8/08

Porque hoje é sábado! Parte 9

Quando amanheço,
me visto de você.
Mas nada impede
que me sinta sempre nu,
rasgado.
Anjo safado,
sem tu,
sem mim…
"O chato do querubim"

(Agostinho Lopes)

Recife - PE

criado por aagostinho4    9:09 — Arquivado em: Poesias

9/8/08

Porque hoje é sábado! 8

Em homenagem ao STF - Supremo Tribunal Federal,
ao seu presidente "Gilmar Vendes", aos vereadores de
Recife e Paulista, em Pernambuco e A TODOS os
políticos corruptos desse país!"


COMÍCIO EM BECO ESTREITO
Jessier Quirino

"Pra se fazer um comício
Em tempo de eleição
Não carece de arrodei
Nem dinheiro muito não
Basta um F-4000
Ou qualquer mei caminhão
Entalado em beco estreito
E um bandeirado má feito
Cruzando em dez posição.

Um locutor tabacudo
De converseiro comprido
Uns alto-falante rouco
Que espalhe o alarido
Microfone com flanela
Ou vermelha ou amarela
Conforme a cor do partido.

Uma ganbiarra véa
Banguela no acender
Quatro faixa de bramante
Escrito qualquer dizer
Dois pistom e um taró
Pode até ficar melhor
Uma torcida pra torcer

Aí é subir pra riba
Meia dúzia de corruto
Quatro babão, cinco puta
Uns oito capanga bruto
E acunhar na promessa
E a pisadinha é essa:
Três promessa por minuto.

Anunciar a chegança
Do corruto ganhador
Pedir o "V" da vitória
Dos dedo dos eleitor
E mandar que os vira-lata
Do bojo da passeata
Traga o home no andor.

Protegendo o monossílabo
De dedada e beliscão
A cavalo na cacunda
Chega o dono da eleição
Faz boca de fechecler
E nesse qué-ré-qué-qué
Vez por outra um foguetão.

Com voz de vento encanado
Com os viva dos babão
É só dizer que é mentira
Sua fama de ladrão
Falar dos roubo dos home
E tá ganha a eleição.

E terminada a campanha
Faturada a votação
Foda-se povo, pistom
Foda-se caminhão
Promessa, meta e programa…
É só mergulhar na Brahma
E curtir a posição.

Sendo um cabra despachudo
De politiquice quente
Batedorzão de carteira
Vigaristão competente
É só mandar pros otário
A foto num calendário
Bem família, bem decente:

Ele, um diabo sério, honrado
Ela, uma diaba influente
Bem vestido e bem posado
Até parecendo gente
Carregando a tiracolo
Sem pose, sem protocolo
Um diabozinho inocente".

criado por aagostinho4    9:40 — Arquivado em: Poesias, Política

3/8/08

Hoje é domingo, pé de cachimbo VII

LIÇÃO DE AMOR

Não te direi de amor
assim como tu queres
pois não se faz o amor, amor existe
e dá-se dando e dando inteiramente
que despojado é o maior, sem adereços
e a pele é a melhor das vestimentas.

Não te direi
assim como o entendes
mas se eu disser de mim, direi do amor
que há quem não se dando já deu tudo
e visitou a face do teu ser impuro
e adormeceu à sombra dos teus sonhos

Não
assim que me entrego à noite e à desventura
e ferida de amor digo teu nome
e ele me cobre como uma vestidura.

Foto: José Lopes
Poesia de Maria do Carmo Barreto Campello de Melo

criado por aagostinho4    8:59 — Arquivado em: Poesias

26/7/08

Porque hoje é sábado! 7

Hoje, para deleite de quem lê aqui, publico "pedaços" de Mário Quintana… Alguns de seus poemas… Bom proveito!

DO AMOROSO ESQUECIMENTO

Eu agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti…
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

DAS UTOPIAS

Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

POEMINHO DO CONTRA

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

O TRÁGICO DILEMA

Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro. 

BILHETE

Se tu me amas,
ama-me baixinho.

Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.

Deixa em paz a mim!

Se me queres,
enfim,

…..tem de ser bem devagarinho,
…..amada,

…..que a vida é breve,
…..e o amor
…..mais breve ainda. 

O amor é quando a gente mora um no outro.

criado por aagostinho4    8:15 — Arquivado em: Literatura, Poesias

5/7/08

Porque hoje é sábado! 6

JÀ ÉS minha. Repousa com teu sonho em meu sonho.
Amor, dor, trabalhos, devem dormir agora.
Gira a noite sobre suas invisíveis rodas
e junto a mim és pura como o âmbar dormido.

Nenhuma mais, amor, dormirá com meus sonhos.
Irás, iremos juntos pela águas do tempo.
Nenhuma viajará pela sombra comigo,
só tu, sempre-viva, sempre sol, sempre lua.

Já tuas mãos abriram os punhos delicados
e deixaram cair suaves sinais sem rumo
teus olhos se fecharam como duas asas cinzas,

enquanto eu sigo a água que levas e me leva:
a noite, o mundo, o vento enovelam seu destino,
e já não sou sem ti senão apenas teu sonho.

(Pablo Neruda, de Cem sonetos de amor - LXXXI)

criado por aagostinho4    8:14 — Arquivado em: Poesias

29/6/08

Mulher de areia!

Sentimentos misturados
turvam-me a visão…
Ouço vozes que não são minhas.
Risos que não são meus…
Renuncio a mim mesma
já que não sei quem fui,
nem serei…

E nem me importa.
Estrangeira em minha própria
terra, ando em silêncio…
Por trilhas que me levam
a lugar algum.

Sigo…
Sem deixar vestígios…
Contorno os rabiscos
desenhados pelas ondas
que LAMBEM a areia…
E caminho desenhando,
aleatoriamente,
figuras desconexas…

Assim…
Assim livre…
Assim sem compromisso,
Assim, sem pressa…
Assim, sem volta,
pés descalçoes…
Alma nua…

(Poesia de Glória Salles)
Dedicado às "mulheres de areia" de minha vida!

criado por aagostinho4    13:01 — Arquivado em: Poesias

28/6/08

O mar, a areia e a língua…

Dizem que, "o mar passa saborosamente,
a língua, na areia…"
Por isso gosto de ser teu mar,
descobrir teu sabor,
minha areia… sereia!

(Escrita hoje, Praia dos Carneiros,
Tamandaré - PE
Foto: Praia dos Carneiros)

criado por aagostinho4    12:45 — Arquivado em: Poesias

21/6/08

Porque hoje é sábado! 5

Vou dizer como é que eu era
Antes de ser de Maria:
Era um cabra corajoso
Precipitoso e ferino
Desses que só bate o pino
Prá Deus Pai, prá Deus Menino
Pros assuntos do Divino
E pro time de Jesus.

Parente de grau chegado
Do Capitão Virgulino
Resolvedor de pepino
De pontaria aguçada…
Por essa vida aloprada
Vez por outra eu chumbregava(*)
Beijava, cafunezava
Mas não sentia paixão.

Não falava voz de seda
Eu era coisura azeda…
Pensamento de limão.
Mas um dia, meu cumpadre,
Relaxei a prontidão
E num piscar de relâmpo
Que nem um par de tamanco
Tava preso num cordão.

Era o cordão de Maria
Caçula de “seo Bastim”
Se rindo, se aprochegando
E os dentinhos mordiscando
Um pendãozim de capim.
O manhoso da danada
Era chave de prisão.
Com um balde, um rodo e um sabão
E aquela saia azulzinha
Assoalhando a cozinha
Surfando em pano de chão.

Aquilo não é serviço
Aquilo é mais um balé!
Panim de chão bem pisado
E os passinho pinicado
Perguntando: tu me quer?
Eu confesso, meu cumpadre
Que´u que nunca fui pisado
Desejei ser espremido
Aberto e no chão botado
Banhado d´água e sabão
Desejei ser pisunhado
Pelos pezim da bondade
Desejei ser, na verdade,
Aquele panim de chão.

Juro perante o divino
Que, na hora e nesse dia
Bem dizer uma oração
Eu debrulhei prá Maria:

Maria do andar azul
Maria ingrediente dengoso
Maria de saia acambraiada
Maria bordada
Maria aprendida sem pecado
Maria croqui da imaculada perfeição
Maria assassina da tristeza
Maria do colo quente
Maria cantina de suflê
Maria rosê
Maria isenta de partículas de feiúra
Maria doçura
Maria pressagiozinho calmoso
Maria que cutuca meu peito incutucável
Maria amorável
Maria água e sabão
Maria pano de chão
Maria belisca-flor
Maria mãe do frescor
Maria chuva dourada
Maria romanceada
Maria adubo do amor
NÃO FAÇA EU DIZER: AMOR!!
MEU AMOR!!!

Poesia "Maria Pano de Chão, de
Jessier Quirino
Xilogravura de J. Borges

(*) Xumbregar = "dar uns amassos"

criado por aagostinho4    8:01 — Arquivado em: Poesias
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