Salada à Brasileira

“O único tirano que aceito neste mundo é a voz silenciosa dentro de mim, a consciência.” (Mahatma Gandhi).

6/12/08

Encontro Marcado

Quero atrasar… demorar…
A este encontro faltar.

Gostaria de adiar
O momento implacável
De um encontro já marcado
Em pouco - ou nada - amável.
Talvez o ponto final,
A derradeira parada,
Epitáfio da esperança,
De minh’alma já cansada.

Talvez um céu sem estrelas,
Quiçá um jardim sem flores,
Onde o canto se faz mudo,
Mausoléu dos meus amores.

Como viver sem sentir
O esplendor da natureza
A tortura dos amantes,
Alegrias e tristeza?

E como passar meus dias
Distante dos beijos teus,
Sem nenhuma companhia
Amargando um adeus?

Assim, tento protelar
A penosa obrigação
De ir a este encontro…
Encontro com a… solidão.

(Poesia de Oriza Martins)

Estou postando esse poema por sua "beleza plástica", mas que mostra o reverso do momento ora vivido.

Vargem Grande Paulista - SP

criado por aagostinho4    16:01 — Arquivado em: Poesias

30/11/08

Hoje é domingo, pé de cachimbo - Parte XI

Por onde eu vou, eu deixo rastros
Riscos n´água em alma alheia
Risos fartos de intenção benevolente

Por onde eu vou eu deixo pedaços
De mim, dos outros, restos de astros
Incandescente e inconsquentes

Por onde eu vou eu me deixo pasto
Rasteira, gata borralheira
presennte em sapatos apertados

Por onde eu vou em me deixo
Me entrego à domicílio
Não me aceito em devoluções

Por onde eu vou eu não me acho
E se me acharem, bem, se me acharem
Não há recompensas prá quem me achar

Por onde eu vou?
A pergunta é:
Por
Onde
Eu
Vou?
Eu vou ao/por teu encontro
agora eu vou…

Não me incomodo!
A estrada é toda tua,
mas os rastros são sempre meus.

(Rastros de mim - Samelly Xavier
Etc. - Página 125)

Recife - PE

criado por aagostinho4    9:04 — Arquivado em: Poesias

29/11/08

Um umbigo

"Porque hoje é sábado", recorro a Mário Quintana,
para homenagear esse gostoso ponto
da anatomia feminina:

O teu querido umbiguinho
Doce ninho do meu beijo
Capital do meu Desejo,
Em suas dobras misteriosas,
Ouça a voz da natureza
Num eco doce e profundo,
Não só o centro de um corpo,
Também o centro do mundo!

Recife - PE

criado por aagostinho4    7:48 — Arquivado em: Literatura, Poesias

21/11/08

Confissão

Um pouco de Quintana, numa sexta-feira especial:

Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece…
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!

Recife - PE

criado por aagostinho4    10:51 — Arquivado em: Cultura, Poesias

16/11/08

A bunda!

Porque hoje é "domingo pé de cachimbo"
mando uma poesia de Drummond sobre
o monumento bunda, cujo título é:
A bunda, que engraçada!

"A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,
rebunda."

Recife - PE

criado por aagostinho4    11:58 — Arquivado em: Poesias

10/11/08

Como dizia Henfil…

"Se não houver frutos
Valeu a beleza das flores
Se não houver flores
Valeu a sombra das folhas
Se não houver folhas
Valeu a intenção da semente"

Recife - PE

criado por aagostinho4    9:37 — Arquivado em: Poesias

9/11/08

Alegria, alegria, alegria!!!

Hoje é domingo
Pé de cachimbo
Cachimbo é de barro
Bate no jarro
O jarro é de ouro
Bate no touro
O touro é valente
Bate na gente
A gente é fraco
Cai no buraco
O buraco é fundo
Acabou-se o mundo.

País de Caruaru - PE

Foto: Minha sobrinha, Vitória

criado por aagostinho4    10:44 — Arquivado em: Cotidiano, Poesias

19/10/08

Hoje é domingo, pé de cachimbo - Parte IX

Pedaços de "Quintana"…

Sobre a "evolução":

O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele
tenha sido nosso passado: é este pressentimento de
que ele venha a ser nosso futuro.

Sobre "degraus"

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo…

Sobre o que é o amor:

O amor é quando a gente mora um no outro.

Sobre repetições:

Fere de leve a frase… E esquece… Nada
Convém que se repita…
Só em linguagem amorosa agrada
A mesma coisa cem mil vezes dita.

Sobre " a verdadeira arte de viajar":

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os
caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

Hoje começo uma viagem de 16 dias.
Na medida do possível, o "Salada"
vai ser atualizado.
Serão dias de um pouco de trabalho e
um muito de merecidas (creio eu) férias.
Até bem breve!

Recife - PE

criado por aagostinho4    6:09 — Arquivado em: Literatura, Poesias

27/9/08

Porque hoje é sábado! Parte 14

Amo-te tanto, meu amor… não cante,
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante,
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade,
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude,
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente,
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Soneto do Amor Total
Vinícius de Moraes

Recife - PE

criado por aagostinho4    8:43 — Arquivado em: Homenagem, Literatura, Poesias

20/9/08

Porque hoje é sábado! Parte 12

Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!

Oh! Como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontravas se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como cortiça
E tem raízes como a fumaça.

A mulher que passa
Vinícius de Moraes

Dedico a uma certa "pretinha" que cada vez, fica mais!

Recife - PE

criado por aagostinho4    11:33 — Arquivado em: Poesias
Posts mais antigos »
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://saladabrasileira.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.