Salada à Brasileira

“O único tirano que aceito neste mundo é a voz silenciosa dentro de mim, a consciência.” (Mahatma Gandhi).

29/11/08

Um umbigo

"Porque hoje é sábado", recorro a Mário Quintana,
para homenagear esse gostoso ponto
da anatomia feminina:

O teu querido umbiguinho
Doce ninho do meu beijo
Capital do meu Desejo,
Em suas dobras misteriosas,
Ouça a voz da natureza
Num eco doce e profundo,
Não só o centro de um corpo,
Também o centro do mundo!

Recife - PE

criado por aagostinho4    7:48 — Arquivado em: Literatura, Poesias

19/10/08

Hoje é domingo, pé de cachimbo - Parte IX

Pedaços de "Quintana"…

Sobre a "evolução":

O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele
tenha sido nosso passado: é este pressentimento de
que ele venha a ser nosso futuro.

Sobre "degraus"

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo…

Sobre o que é o amor:

O amor é quando a gente mora um no outro.

Sobre repetições:

Fere de leve a frase… E esquece… Nada
Convém que se repita…
Só em linguagem amorosa agrada
A mesma coisa cem mil vezes dita.

Sobre " a verdadeira arte de viajar":

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os
caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

Hoje começo uma viagem de 16 dias.
Na medida do possível, o "Salada"
vai ser atualizado.
Serão dias de um pouco de trabalho e
um muito de merecidas (creio eu) férias.
Até bem breve!

Recife - PE

criado por aagostinho4    6:09 — Arquivado em: Literatura, Poesias

29/9/08

Machado de Assis - 100 anos de morte!

Há cem anos atrás, morria Joaquim Maria Machado de Assis, filho legítimo de Francisco José de Assis (brasileiro, carioca, descendente de negros alforriados, pintor e dourador) e da lavadeira Maria Leopoldina Machado de Assis (portuguesa da ilha de São Miguel, Açores), no Morro do Livramento, Rio de Janeiro.

Falar sobre o seu legado é "chover no molhado", pois é, sem sombra de dúvidas, o maior escritor brasileiro de todos os tempos.

Triste é ver os "paulos coelhos" da vida, nos dias atuais, venderem as bobagens que escrevem e serem "consumidos" como se fossem grandes escritores. Mas, infelizmente, são reflexos de um povo, em sua maioria, sem memória e descompromissados com a própria realidade, público ideal a essa "literatura junkie food".

Para marcar a data, eis algumas frases célebres de Machado de Assis, transcritas de alguns de seus romances:

Sobre adolescência:

"Aos quinze anos, há até certa graça em ameaçar muito e não executar nada."
Em "Dom Casmurro" (1899)

Sobre Brasil:

"Pátria brasileira é como se disséssemos manteiga nacional, a qual pode ser excelente, sem impedir que os outros façam a sua."
Em "A Semana" (8 de maio de 1892)

Sobre ladrões:

"Não é a ocasião que faz o ladrão, dizia ele a alguém; o provérbio está errado. A forma exata deve ser esta: ‘A ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito.’"
Em "Esaú e Jacó" (1904)

Sobre paz:

"O melhor modo de viver em paz é nutrir o amor-próprio dos outros com pedaços do nosso."
Em "Helena" (1876)

Sobre perdão:

"Quando estimo alguém, perdôo; quando não estimo, esqueço. Perdoar e esquecer é raro, mas não é possível; está nas tuas mãos."
Em "Iaiá Garcia" (1878)

Sobre o tempo:

"–Que importa o tempo? Há amigos de oito dias e indiferentes de oito anos."
Em "Ressurreição" (1872)

Sobre a verdade:

"Não é a verdade que vence, é a convicção."
Em "Esaú e Jacó" (1904)

Recife - PE

criado por aagostinho4    16:21 — Arquivado em: Homenagem, Literatura

27/9/08

Porque hoje é sábado! Parte 14

Amo-te tanto, meu amor… não cante,
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante,
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade,
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude,
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente,
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Soneto do Amor Total
Vinícius de Moraes

Recife - PE

criado por aagostinho4    8:43 — Arquivado em: Homenagem, Literatura, Poesias

28/7/08

Aconteceu em 28 de julho


Lampião, Maria Bonita e bando

No dia 28 de julho de 1938, chegou ao fim à trajetória do mais popular cangaceiro do Brasil. Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, foi morto na Grota do Angico, interior de Sergipe, acompanhado de seus exército de cangaceiros e da lendária Maria Bonita, sua mulher e companheira de toda a vida. Devido a sua inteligência e agilidade, Lampião até hoje é considerado o Rei do Cangaço.

Sua fama até hoje é contada e cantada pelo interior dos estados nordestinos, onde ainda vivem personagens diretos ou indiretos daqueles tempos e que ajudam a manter viva as lendárias histórias, sabe-se lá se reais ou mitológicas, do carismático "rei do cangaço".

Também hoje comemora-se os 50 anos do lançamento do livro "Gabriela Cravo e Canela", de Jorge Amado, que marcou uma transformação na obra literária de até então, mudando de sua característica "em primeria pessoa" e maniqueísta, como em "Capitães de Areia" e "Mar Morto", a uma linguagem "em terceira pessoa", marcando também, com o romance, sua escalada internacional.

Em nossas mentes levamos a eterna "Gabriela morena-moleca e faceira", que Sônia Braga ajudou a dar vida na TV e no cinema.

criado por aagostinho4    9:47 — Arquivado em: História, Literatura

26/7/08

Porque hoje é sábado! 7

Hoje, para deleite de quem lê aqui, publico "pedaços" de Mário Quintana… Alguns de seus poemas… Bom proveito!

DO AMOROSO ESQUECIMENTO

Eu agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti…
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

DAS UTOPIAS

Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

POEMINHO DO CONTRA

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

O TRÁGICO DILEMA

Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro. 

BILHETE

Se tu me amas,
ama-me baixinho.

Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.

Deixa em paz a mim!

Se me queres,
enfim,

…..tem de ser bem devagarinho,
…..amada,

…..que a vida é breve,
…..e o amor
…..mais breve ainda. 

O amor é quando a gente mora um no outro.

criado por aagostinho4    8:15 — Arquivado em: Literatura, Poesias

18/5/08

Uma anarquista na eternidade!

Não gosto de fazer "elogios de ocasião", nem homenagens oportunistas. Mas abro uma excessão em relação a Zélia Gattai, talvez mais conhecida como "a viúva de Jorge Amado", que ontem deixou o convívio terrestre.

Foi com a leitura de "Anarquistas, graças a Deus", que aprendi muito sobre a emigração italiana no Brasil; a admirar aquele povo batalhador, chegados "sem eira nem beira", como muitos outros povos que vieram, literalmente, "construir o Brasil".

Zélia foi, antes de tudo, a companheira fiel de Jorge Amado e quando de sua morte, tratou de preservar sua obra, através da divulgação ainda maior em todo o Brasil e exterior.

Num país que sofre de falta de memória; que privilegia os "sucessos de ocasião" em detrimento da verdadeira cultura, isso é essencial.

Vai na paz!

criado por aagostinho4    10:37 — Arquivado em: Homenagem, Literatura

25/1/08

O que estou lendo!

Einstein: sua vida, seu universo, a nova biografia de Albert Einstein, baseia-se numa coleção de cartas divulgadas em 2006, vinte anos depois da morte de sua enteada, conforme ela determinara em testamento. Escrita pelo jornalista Walter Isaacson, que já presidiu os grupos Time e CNN, e amplamente elogiada pela crítica, revela um Einstein avesso a qualquer tipo de dogma. Foi esse espírito rebelde que permitiu o nascimento da teoria que revolucionaria a física. O conteúdo das cartas desnuda a vida íntima de uma mente genial.Um homem simples e afável, mas ao mesmo tempo impertinente e distante, Einstein mantinha relacionamentos pessoais difíceis, segredos e casos extraconjugais, além de desprezar a guerra e se divertir com a aura de celebridade.Livre de amarras, Einstein podia explorar sua curiosidade, traço fundamental de sua personalidade e, em suas próprias palavras, essencial para seu brilhantismo: "Não tenho nenhum talento especial, apenas uma ardente curiosidade". Mas, no fim da vida, a rebeldia deu lugar ao inconformismo, tanto em termos científicos quanto políticos. Einstein: sua vida, seu universo nos revela o menino curioso, o estudante genial e insolente que se apaixona pela colega de curso, o funcionário do escritório de patentes que revoluciona a física, o homem atormentado por problemas conjugais, o pai muitas vezes ausente, o físico por fim reconhecido no mundo todo, o militante pacifista e sua busca frustrada pela teoria do campo unificado uma solução matemática que explicasse as idiossincrasias da recém-nascida mecânica quântica, fruto de uma idéia sua.

criado por aagostinho4    13:25 — Arquivado em: Literatura

29/12/07

O que estou lendo!

 

Eu não poderia fechar o ano de 2007 ser ler "Lula é minha anta", de Diogo Mainard!

"Lula é Minha Anta", do jornalista Diogo Mainard, um dos mais polêmicos
e conhecidos comentaristas da cena política brasileira, reúne uma coletânea de crônicas sobre o escândalo do mensalão publicadas pelo autor na revista Veja, da qual é colunista. Mas não se trata de uma reunião pura e simples dos primorosos textos de Mainard sobre os escândalos de Brasília. No livro, as crônicas são alinhavadas com comentários inéditos sobre os artigos que contam os bastidores do trabalho do colunista.

Transcrevo abaixo o primoroso texto da "orelha" do livro, para o deleite dos leitores do blog que AINDA não leram o livro. Vale à pena!

Lula é meu. Eu vi primeiro. Agora todo mundo quer tirar uma lasca dele.
Até os jornalistas que sempre o apoiaram. Chamam-no de ignorante.
Chamam-no de autoritário. Como assim? Lula tem dono. Só eu posso
chamá-lo de ignorante e autoritário. O resto é roubo. Roubaram Lula de mim.
Falei tanto de Lula nos últimos anos que quase me sinto seu amigo. Tão amigo quanto Roberto Teixeira, acusado de favorecer uma empresa que fraudava as prefeituras petistas. Tão amigo quanto Mauro Dutra, acusado de desviar verbas do programa Primeiro Emprego. Tão amigo quanto Francisco Baltazar, acusado de negociar com o doleiro Toninho da Barcelona. Tão amigo quanto Paulo Okamoto, acusado de montar o esquema de arrecadação paralela do PT. Duvido que todas essas denúncias sejam verdadeiras. José Dirceu garantiu que os petistas não roubam. Ou melhor, ele garantiu que os petistas não "róbam", roubando, inadvertidamente, a língua portuguesa.
Quem melhor definiu Lula foi o próprio Lula. Ele disse: "Não fui eleito
presidente por méritos pessoais ou como resultado da minha
inteligência"
. Eu, que sempre falei mal dele, fui obrigado a aplaudir.
Ele realmente não foi eleito por méritos pessoais ou como resultado de sua inteligência. Há quem me acuse de ter motivos pessoais para amolar Lula. Bobagem. Tenho tanto interesse por Lula quanto pelo zelador do meu prédio. O motivo de minha implicância é público. Acho que os brasileiros, por falta de experiência democrática, atribuem uma importância exagerada ao presidente da República. Um presidente é só um burocrata medíocre que a gente contrata por quatro anos para desempenhar uma tarefa que nenhuma pessoa minimamente sensata estaria disposta a desempenhar. Ele não é nosso chefe: nós é que somos chefes dele. 

criado por aagostinho4    9:10 — Arquivado em: Literatura, Política

22/12/07

Porque hoje é sábado!

 

O DIA DA CRIAÇÃO (Vinícius de Moraes)

I

Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.

Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.

II

Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado
Hoje há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado
Há um rico que se mata
Porque hoje é sábado
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado
Há um grande espírito-de-porco
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado
Há criançinhas que não comem
Porque hoje é sábado
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado
Há uma comemoração fantástica
Porque hoje é sábado
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado

III

Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens,
ó Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como
as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas
em queda invisível na
terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda
e missa de
sétimo dia.
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das
águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em [cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e [sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.

criado por aagostinho4    12:39 — Arquivado em: Literatura, Poesias
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