26/5/08
Chamem o ladrão!

Ao contrário do que acontece nos grandes centros urbanos, Recife não é, ainda, uma cidade de todo desumanizada. Ainda ontem à noite, quando saía do escritório em direção à universidade presenciei um fato engraçado que me levou a essa feliz conclusão.
Era hora do “rush” e a Pracinha do Diário apinhava-se de gente que ia e que vinha absortos em seus pensamentos, como todas as pessoas que correm sempre em direção a não sei o que, fato comum nas grandes cidades. Ali, naquele burburinho, os josés, joões e marias não percebiam quem passava ao seu lado, como se cada um só existisse em si mesmo. De repente, um grito: Pega ladrão! – Que bom, pensei, ainda existe alguém que olha quem passa ao seu lado, principalmente se for uma descuidada dama levando sua bolsa ou até mesmo um executivo, que exibe descuidadosamente sua carteira.
Aquele grito gerou uma espécie de ligação em série de outros gritos, por onde o gatuno corria desvencilhando-se e levando consigo “o fruto do seu trabalho”. Na verdade nenhuma daquelas pessoas estavam preocupadas em segurar o ladrão, pois lhes faltava coragem. Porém, o “ato fisiológico” de gritar os satisfazia plenamente.
Os olhares convergiam em direção à Rua Diário de Pernambuco, local por onde o gatuno fugira, num ato de solidariedade à pessoa roubada que, àquela altura, nem interessava quem poderia ser. Outros, mais distantes do local, davam gritos de incentivo aos que corriam atrás do larápio. O menino do cafezinho, figura comum no dia a dia da cidade, destaca-se ao sair correndo em meio a todos e gritando em tom de brincadeira: “Pega o honesto!!! Pega o honesto!!! – Um ônibus apinhado de pessoas que passava pela pracinha naquele momento, mostrava uma cena pelo menos engraçada, senão grotesca: os passageiros de pé e com as cabeças fora das janelas para melhor contemplarem o acontecimento, davam a idéia de que o coletivo estava tão cheio a ponto de que os passageiros estavam sendo impelidos pelas suas janelas.
Por alguns minutos observei cada uma destas cenas com eventual interesse. A pracinha havia parado; os transeuntes olhavam em direção à Rua Diário de Pernambuco e faziam os mais diversos comentários com o primeiro que passava ao seu lado. Por alguns minutos as pessoas ao menos se comunicavam…
Depois, como todos os outros, retomei o meu caminho e também eu tornei-me um autômato entre todos os outros.
- Escrevi essa crônica, baseada num fato real, em 05 de maio de 1984, portanto há 24 anos atrás>
criado por aagostinho4
12:03 — Arquivado em: 

Haha
Infelizmente desde o dia 29 de dezembro eu n sei o que é isso querido…
Por isso disse “..bem q a última frase PODIA ser levada ao pé da letra tb!”
huahauhua
Comentário por Morenah — 26 26UTC maio 26UTC 2008 @ 12:31
Oi Agostinho… vc comentou no meu blog que o planeta pede ajuda e concordo. Outro tremor aconteceu na China… está cada vez pior! Dei uma visitada nas dezenas (ou centenas?) de textos seus… Amei !! Parabéns, vc escreve mto bem e trata com muito humor a realidade desse paÃs !!
Comentário por TaÃs Gomes — 26 26UTC maio 26UTC 2008 @ 14:34
Fiquei aqui na torcida… saboreando letrinha por letrinha… e… em vão…
Nem na “Crônica” prendem um ladrão…
24 aninhos… risos…
Sabes… TeAmo…
Bjs.
Comentário por Manhosa — 26 26UTC maio 26UTC 2008 @ 14:44
Oi querido.
Pois então, tenho tpm’s horriveis.coitados dos q me cercam.e é bem certo q eles sempre se afastam.kkkkk
fico chaaaaata.kkkkkk
mulher né!?!
=)
Espero q entenda.
bj.
Ca.
Comentário por Carol Campos — 26 26UTC maio 26UTC 2008 @ 22:43
oO
caraca, e vc teve ele guardado esse tempo todo, August?
cena cotidiana em algumas cidades, mas que eu acho que nunca aconteceu aqui. além de ser um lugar tranquilo, as pessoas são tranquilas demais. se forem assaltadas, levam uma hora pra notar, hahaha…
não sei se vim aqui depois de postar pela penúltima vez, mas deixei uns mimos pra vc no Excesso Intenso, dá uma olhada depois.

;*
Comentário por Intense — 27 27UTC maio 27UTC 2008 @ 2:14
E’ isso mesmo. Grande sensibilidade….. O povo fica agitado em tal situaçà o, mas nà o por solidariedade. Seguram forte suas bolsas ou passam a mà o para ver se a carteira està no lugar, pensando: -Ainda bem que nà o aconteceu comigo…..
Um beijà o, Agostinho. Vocè escreve muito bem!
Comentário por Ana — 30 30UTC maio 30UTC 2008 @ 4:04