
Um dos truques da mídia, para prender a atenção das pessoas e ainda para “formar opiniões” (ou seria melhor dizer, “manipular opiniões”?), determinados assuntos são tratados à exaustão, provocando nas massas, comoções, manifestações, indignações e outras tantas emoções, todas devidamente “conduzidas”, o que se tornam “veneno” quando acessadas pela grande maioria que não têm o filtro necessário para “digerir a informação”, o chamado “censo crítico”.
Estou até o pescoço, saturado da grande e desnecessária exposição do caso da menina Isabela Nardoni, como estava no caso da outra menina posta em cativeiro e torturada por sua “mãe adotiva”, uma empresária de Goiana.
Agora, a “bola da vez” é o caso do padre pseudo-aventureiro, que inventou de voar em balões de festa. Esse louco ou idiota, convenceu outros tantos “loucos” (ou seriam idiotas também?) a apoiar sua empreitada. Esse espetáculo de loucura e incompetência (o tal padre sequer sabia usar o aparelho de GPS com o qual estava equipado), fez-me lembrar uma antiga música de Gonzaguinha, chamada “João do Amor Divino”, que narrava a cena do suicídio de um operário que queria pular de um prédio. Embaixo a turba gritava, “pula e morre seu otário!”. Acredito que a multidão que foi lá apoiar a loucura ou exibicionismo do padre, intimamente tinha esse desejo que, talvez, Freud explique e a que atribuo o nome de “loucura inconsciente coletiva”, onde sentem prazer em ver alguém se dar mal, como se isso lhes trouxesse algum alento interior às suas próprias limitações e frustrações.
Mas o que quero abordar hoje, na verdade, não é nem mesmo a atitude do padre, nem o desfecho dela.
Apenas quero deixar registrada a minha indignação com o desperdício de dinheiro público com o resgate desse padre. Quanto não se gastou em uso de aeronaves, combustíveis, comunicação, etc?
Quando algum otário resolvesse fazer algo semelhante, que não se assemelha a nenhum desafio radical esportivo, mas apenas à satisfação de ego pessoal, que antes de serem autorizados a tal exibicionismo, que contratem do próprio bolso ou de algum patrocinador, um seguro que garantisse essa busca, preservando os recursos públicos aos reais interesses dos cidadãos, vítimas de catástrofes, de acidentes naturais, de incêndios, acidentes, etc.
Não venham me dizer que esse padre não tinha conhecimento dos riscos ao qual livremente, decidiu correr. Ou isso envolve “atividade pastoral”?
Igual às execuções de morte na China, onde as famílias dos executados são obrigadas a pagar a bala usada na aplicação da pena, a família deste padre ou quem quer que seja, deveria ter a obrigação de ressarcir o dinheiro público gasto com sua tentativa de resgate.
