Salada à Brasileira

“O único tirano que aceito neste mundo é a voz silenciosa dentro de mim, a consciência.” (Mahatma Gandhi).

22/5/07

Sobre o que somos e o que parecemos ser!

Ninguem melhor que nós mesmos, colocados diante de nossas limitações, falhas e incoerências, para termos a exata medida do que, de fato, somos… Daquilo que "deveríamos ser", em contraste com a realidade do que "conseguimos ser".

Vez por outra, me vem a sensação de que, na extensão da "estrada da vida", são colocados "espelhos" onde podemos "fazer uma parada para conferir o penteado e ajeitar o nó da gravata".

Nesta última semana passada, em duas ocasiões distintas e com pessoas também direrentes, experimentei claramente esta sensação. A coincidência é que a ambos, não via nem falava há bastante tempo.

O primeiro, me falava de suas agruras de vida: separação, relacionamento com os filhos, situação (já superada) de desemprego, incertezas diante de um novo amor não correspondido, etc… Me fez lembrar a música "Amigo é prá essas coisas", clássico da MPB cantada por MPB4.

 Durante o bate-papo, fez menção a uma certa carta que eu havia lhe escrito há cerca de 20 anos (não lembrei de tê-la escrito) e que o que escrevi ali, ainda hoje lhe serviam de referência de vida. O que será que escrevi e aconselhei? Será que foram coisas que me serviriam também de referência nos dias atuais?

Em outro momento, deparei-me com outro amigo. Esse não via a mais de 5 anos… Daí falou-me que todas as vezes que se sente tentado, numa estrada, a desenvolver uma velocidade excessiva em seu carro, lembra que certa vez viajando comigo de Fortaleza à linda cidade serrana de Guaramiranga, no Ceará, eu o havia advertido por estar em alta velocidade, justificando ser desnecessária e perigosa. Disse que nunca esqueceu disso que falei e que, ainda hoje, quando se sente tentado a exceder a velocidade, essa minha advertência de tantos anos atrás, o faz retomar à velocidade permitida.

Esse "segundo espelho" me fez sentir incoerente e irresponsável, pois inúmeras vezes me pego dirigindo a até 150 km/h, sem a menor necessidade, apenas pelo prazer de desafiar os limites da máquina, essa nem sempre confiável.

Daí veio-me a sensação que esses "espelhos" são como "angeli venuti dal cielo" (anjos vindos do céu), certamente com o papel de nos alertar e nos fazer compreender que devemos estar sempre atentos a nós próprios,  "escravos de nossa consciência", a qual, segundo Gandhi, deve ser "o único tirano" que devemos aceitar nesse mundo.

criado por aagostinho4    15:42 — Arquivado em: Sem categoria

1 Comentário »

  1. Ah… Gostinho, se todo mundo tivesse privilegio de ter (e ouvir e entender) anjos-espelhos talvez as ofensas fossem menos duras e as verdades mais sutis. Porém, na política do “faça o que eu digo, mas não o que eu faço”, o espelho só serve, quando muito, para averiguar o umbigo e vê se ele continua no centro do mundo.
    Sorte que alguns pares de pessoas podem se verem (afinal, “são seus olhos”) nas reflexões (ou reflexos?) das suas palavras e avaliarem o que disse Montenegro: “quantas mentiras você condenava, quantas você teve de cometer?”.

    Obrigada pela oportunidade de refletir sobre reflexos.

    Beijos recitados!

    Comentário por Samelly Xavier — 22 22UTC maio 22UTC 2007 @ 20:52

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